quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Distorções da Ordenança do Batismo ao longo dos séculos

Que o batismo é essencial à Salvação não é necessário demonstrar aqui; isto é geralmente defendido pela Igreja cristã tanto antigamente como agora. A intenção do batismo foi e é obter a remissão dos pecados; a obediência a esse requisito tem sido desde o começo o único meio de assegurar admissão à Igreja de Cristo.  

Na Igreja primitiva, o batismo era administrado mediante a profissão de fé e evidência de arrependimento, e realizado por imersão pelas mãos de alguém investido com a necessária autoridade do sacerdócio. Não havia delongas na administração da ordenança depois de provada a elegibilidade do candidato. Como exemplos, podemos citar a prontidão com que o batismo foi administrado aos crentes naquele grande dia de Pentecostes (Atos 2:37-41); o batismo administrado por Felipe ao converso etíope, imediatamente após a devida profissão de fé (Atos 8:26-39); o batismo imediato ao devoto Cornélio e sua família (Atos 10:47-48); e a rapidez do batismo do carcereiro convertido por Paulo, seu prisioneiro. (Atos 16:31-33). 


 No século dois, contudo, um decreto sacerdotal restringiu a ordenança batismal às épocas de duas festas da Igreja, a páscoa e a festa de Pentecostes, sendo a primeira o aniversário da ressurreição de Cristo, e a segunda a época da celebração pentecostal. Exigia-se do candidato um longo e tedioso curso preparatório antes de sua elegibilidade ser admitida; durante esse tempo, ele era conhecido como catecúmeno, ou noviço em treinamento. Segundo algumas autoridades, exigia-se um curso de preparação de três anos em todos os casos,com poucas exceções.  (Schlegel, livro VIII, cap. 32).


 Durante o século dois, o simbolismo batismal de um novo nascimento foi salientado por muitos acréscimos à ordenança; assim, os recém-batizados eram tratados como infantes e alimentados com leite e mel, símbolo de sua imaturidade. Como o batismo destinava a ser uma cerimônia de libertação da escravidão de Satanás, certas fórmulas usadas na libertação dos escravos foram adicionadas. A unção com óleo tornou-se também uma parte da cerimônia. No terceiro século, a simples ordenança do batismo foi ainda mais complicada e pervertida pelas administrações de um exorcista. Esse oficial entregava-se a “gritos ameaçadores e horrendos e declamação” pelos quais deveriam ser expulsos os demônios ou espíritos maus que supostamente afligiam os candidatos.


 “A expulsão desse demônio era agora considerada uma preparação essencial para o batismo, após cuja administração o candidato regressava ao lar com coroas e vestido com indumentária branca, como emblemas sagrados  o primeiro representado sua vitória sobre o pecado e o mundo; o último, sua pureza e inocência interiores”. (Mosheim, “Ecclesiastical History”, Sec. III, parte II, cap. 4:4). Não é difícil de perceber nessa cerimônia supersticiosa a evidência de adulteração pagã da religião cristã. No século quatro, adotou-se a prática de colocar sal na boca do recém-batizado, como símbolo de purificação, e o batismo real era precedido e seguido de uma unção com óleo.


A forma ou modo do batismo sofreu também uma mudança radical na primeira metade do século três, alteração pela qual seu simbolismo essencial foi destruído. A imersão (ver nota três no fim do capítulo), significando a morte seguida pela ressurreição, deixou de ser considerada uma característica essencial, permitindo-se sua substituição pela aspersão com água. O próprio 67 Cipriano, bispo erudito de Cartago, defendeu a propriedade da aspersão em lugar da imersão em caso de fraqueza física; e a prática assim iniciada tornou-se mais tarde geral. O primeiro exemplo registrado é o de Novato, herege que pediu o batismo, quando pensou que a morte estava próxima. (Quanto à doutrina do batismo, seu modo de administração e seu simbolismo, ver regras de fé do autor, capítulo 7).



A forma do rito batismal não só foi radicalmente alterada, como pervertida a aplicação da ordenança. A prática da aplicação do batismo às crianças foi reconhecida como ortodoxa no terceiro século e era, sem dúvida, de origem anterior. Numa prolongada disputa de que se era seguro adiar o batismo das crianças até o oitavo dia depois do nascimento em deferência ao costume judeu de fazer a circuncisão naquele dia __ acabou decidindo que tal demora era perigosa, arriscando, arriscando o futuro bem-estar da criança, caso ela morresse antes de atingir a idade de oito dias, e que o batismo deveria ser administrado tão logo quanto possível após o nascimento. (Ver Milner, “Church History”, sec. III, cap. 13). É difícil imaginar doutrina mais infame que a da condenação das crianças não batizadas, e não é preciso procurar prova mais forte das heresias que invadiram e corromperam a Igreja primitiva. Tal doutrina é estranha ao evangelho e a Igreja de Cristo, e sua adoção como dogma essencial é prova da apostasia.

  Do Livro "A Grande Apostasia" de James E. Talmage

                    
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